Mais smartphones, menos agências

Mais smartphones, menos agências

No futuro, os bancos estarão cada vez mais localizados em smartphones e menos em agências físicas. A declaração foi feita por e Guilherme Horn, diretor executivo de inovação da Accenture, na abertura do CFO Fórum da Amcham – São Paulo na terça-feira (23/8).“O maior desafio da indústria financeira é oferecer ao usuário uma experiência semelhante a de outros setores. O novo cliente quer fazer cadastro em um banco com a mesma facilidade que faz em um app de música”, compara o executivo.

O setor bancário, dominado por poucas instituições, tem acompanhado o surgimento das fintechs que estão oferecendo serviços que antes eram exclusividade dos bancos, como aplicações financeiras, crédito e pagamentos. “Os novos modelos de negócios das fintechs são uma ameaça à rentabilidade dos bancos”, afirma Horn. Hoje em dia para se abrir uma startup nos Estados Unidos não se gasta mais de US$ 3 mil. Em 2000, era necessário US$ 1 milhão. “Está cada vez mais fácil entrar nesse mercado”, conclui o palestrante.

Como exemplo, Horn cita o eToro, rede social de investidores. O app traz uma lista de usuários que tiveram o melhor desempenho no mercado de capitais. Quem seguir esses usuários terá acesso às suas estratégias de investimento. Se a dica rendeu dinheiro ao seguidor, ele pagará uma percentagem do ganho ao estrategista e ao eToro.

Ao copiar uma decisão de investimento, muitos usuários tem deixado de aplicar em fundos de investimento. No entanto, operar no mercado brasileiro de capitais ainda tem que ser feito por intermédio de uma corretora de valores. “O app está provocando queda nas taxas de administração de grandes bancos na Europa e Ásia”, afirma Horn.

Outro paradigma que está sendo quebrado é a necessidade de acessar a opinião de analistas certificados de mercado. “No eToro, são pessoas comuns que recomendam investimentos.”

Para Horn, a vantagem das fintechs é a agilidade no desenvolvimento de produtos. “As startups focam em públicos determinados, enquanto os bancos buscam públicos maiores e abrangentes.” Há, por exemplo, fintechs que oferecem serviços de proteção anti-fraude, tema muito relevante à indústria bancária. Um deles é o BioCatch, que desenvolveu um app de autenticação com base no comportamento pessoal e detecção de malwares.

Com a oferta de serviços específicos, os clientes acabam tendo suas experiências de uso fragmentadas. A consequência é que os clientes se tornam cada vez menos leais às marcas, inclusive aos grandes bancos de varejo. Para citar um exemplo nacional, Horn fala do GuiaBolso, app de controle financeiro que acessa os dados bancários do usuário e gera informações que facilitam a gestão do orçamento. “O GuiaBolso deverá chegar a três milhões de usuários. Essa história de ter um só banco para relacionamento acabou.”

 

No ano passado, as fintechs receberam em todo mundo US$ 22 bilhões de investimentos, a maior parte nos Estados Unidos. Infelizmente, o Brasil ficou com uma parcela pequena disso. Contamos cerca de 150 startups, já funcionando e faturando.

Guilherme Horn, Accenture

 

 

 

 

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