Brasil é um país desenvolvido em pagamentos eletrônicos

Brasil é um país desenvolvido em pagamentos eletrônicos

Quando o assunto é meios de pagamento, a afirmação já pode ser considerada uma realidade – o Brasil é sim um país desenvolvido, diz Alexandre Peyser – diretor executivo do Visa Perfomance Solutions para a América Latina.

De acordo com o estudo “Brasil: A transição para um mercado de meios de pagamento desenvolvido” há diversos indicadores que contribuem para essa classificação, como nível de bancarização da população, número de cartões emitidos e aceitação por parte dos estabelecimentos comerciais.

O destaque, porém, fica para o nível de penetração de compras com cartão no consumo privado e o número de comércios que aceitam cartões para cada habitante. Com R$34 pagos em cartão de cada R$100 e mais de 20 estabelecimentos comerciais a cada mil habitantes, o Brasil está em linha com países como Inglaterra, Estados Unidos e França, e já faz parte dos mercados com maturidade na indústria de pagamentos. Para que se tenha uma ideia, nos EUA, esse valor de compra com cartões é de R$44 a cada R$100 e, a cada mil habitantes, possui 25 comércios. Diferente, por exemplo, do México, que ainda apresenta características de um país em desenvolvimento, registrando R$15 gastos em cartão e apenas quatro estabelecimentos comerciais para cada mil pessoas.

Tais indicativos impactam consumidores finais, bancos e comércios de uma forma bem direta, todos buscam por eficiência. No Brasil, há um grande espaço para que os bancos gerenciem de forma estruturada, assim como os estabelecimentos comerciais, que podem adotar – cada vez mais – ferramentas que facilitem o dia a dia de seus consumidores. Líderes de toda a indústria já identificaram esse movimento e buscam fidelizar seus consumidores e gerar mais volume em seus negócios.

Ainda com base no estudo da Visa, é possível listar 5 pontos que devem se tornar prioridade e mais do que uma tendência para bancos e credenciadores nos próximos anos, são eles:

1.       Autorizações

Apesar de ser um tema tradicional, ganhou muita força recentemente. Comparado com países desenvolvidos, o Brasil ainda tem um índice de autorizações baixo e muita variação. Pode parecer incrível, mas há diferenças de até 17 pontos percentuais entre o melhor e o pior emissor em relação a autorizações. Existem várias razões para os índices serem menores no Brasil se quando comparados a outros mercados: linhas de crédito muito baixas, produtos com restrições de uso internacional ou para compras on-line, entre outros. Todos esses pontos, se bem trabalhados, elevam o índice de autorizações para padrões internacionais, mostrando que é possível ter o mesmo nível no mercado brasileiro

2.       Transações Cross-Border (compras internacionais)
A gestão de transações internacionais merece um cuidado ainda mais especial: uma pessoa que tem uma transação cross-border declinada tem maior probabilidade de cancelar seu cartão. Tendo em vista o comportamento de parcela dos portadores de cartões de grandes bancos brasileiros, um ano após tentaram uma transação além da fronteira de seu país, 93% deles continuam com seu cartão quando a transação é aprovada, enquanto apenas 56% tem a mesma atitude quando as transações são declinadas.

3.       Dispersão de uso
Com mais de 4 milhões de terminais, o Brasil é um dos maiores mercados em termos de aceitação. Uma grande oportunidade é ajudar o consumidor a realizar suas compras direto no estabelecimento comercial, ao invés de ir ao caixa eletrônico sacar dinheiro para pagar em papel moeda. Vários bancos focam nessa migração, especialmente com clientes de cartão de débito. Assim, os emissores incentivam seus portadores a usarem seu cartão não somente em supermercados, mas também no restaurante, no posto de gasolina, na vendinha da esquina, até atingir máxima dispersão.

4.       Foco em millennials
Uma segmentação ainda pouco explorada no Brasil e que pode proporcionar uma novidade na forma de abordar e servir consumidores refere-se à geração dos Millennials. Este público tem adotado o uso do cartão de forma massiva, apresentando transações parecidas com gerações anteriores. Além disso, o ticket médio gasto tende a subir na proporção que estes clientes ampliam seu poder aquisitivo e geram mais volume de compras. É o que mostra o gráfico abaixo, que divide a geração em duas partes: Younger Millenials (1990 -2000) e Older Millennials (1980 – 1990):

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Fonte: Visa

5.       Digital
Algumas forças vêm remodelando o cenário dos pagamentos, como a rápida adoção de smartphones e tablets, levando a uma convergência do mundo off-line ao on-line. Atualmente, as empresas digitais inovadoras têm tido uma abordagem não tradicional para dados e estão redefinindo novas fontes, tais como as redes sociais, os dados de localização específica, novos produtos e aplicativos. Em mercados desenvolvidos os consumidores se relacionam massivamente por canais digitais, uma prática comum no Brasil também. Porém, apenas um em cada quatro portadores fizeram uma compra online nos últimos 12 meses. Entre eles, 15% já têm comportamento de compra altamente digital, 21% moderadamente digital e o restante ainda iniciando no mundo de compras online (fonte: Visa). Esta é outra grande oportunidade para o mercado brasileiro, o que explica vermos bancos e fintechs desenvolvendo seus canais para uma transição digital com seus clientes

Todos esses movimentos mostram que o mercado brasileiro chegou a um patamar maduro em relação aos meios de pagamento. Historicamente ouvia-se muito sobre como aumentar market share, crescer a base de clientes; recentemente isso mudou, a indústria agora quer melhorar sua atuação e performance, eficiência. O Brasil mudou e os clientes evoluíram, chegamos a um ponto em que temos um mercado preparado, no qual a maioria aceita cartão e tecnologias novas como as sem contato –pulseiras, anéis, relógios ou celular. O consumidor já entende o valor de usar seu cartão – ele já sabe como e quando usar – já sabe que sua experiência em relação a isso está prestes a mudar e ampliar para outros infinitos gadgets e devices, com a cada vez mais próxima internet das coisas. Agora é preciso melhorar experiência e fidelização, cada vez melhor e mais eficiente.

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