Pandemia acelerou demanda por serviços da fintech Cuore

Pandemia acelerou demanda por serviços da fintech Cuore

O irrequieto empreendedor Stephan Krajcer, 44 anos, casado, três filhas, mora na grande Toronto, Canadá, desde 2018. Ele escolheu migrar para o país para realizar um sonho, depois de descobrir que no Canadá encontraria excelentes condições para desenvolver sua startup: pesquisas avançadas em tecnologias disruptivas, valorização do empreendedorismo e apoio do governo.

Foi lá, no Creative Destruction Lab, da Universidade de Toronto, que incubou a fintech Cuore Platform, lançada há dois anos. A Cuore é especializada na digitalização de processos para instituições financeiras.

A Cuore hoje já tem receita e clientes – entre eles, dois dos 15 maiores administradores de fundos de investimento brasileiro. Mas até o ano passado, não era assim: segundo Krajcer, foi a Covid 19 que acelerou a demanda pelos serviços digitais da fintech para o mercado financeiro.

“O primeiro serviço que lançamos foi atropelado pela lei da liberdade econômica, que entre outras coisas passou a dispensar processos burocráticos, como reconhecimento de firmas e autenticações”, explica. “O segundo serviço não decolou a princípio porque, até o começo desse ano, não era uma prioridade para os clientes – mas a partir de março passou a ser”, afirma.

Reuniões e votos remotos

O primeiro serviço oferecido pela Cuore foi a gestão digital de papelada e o segundo, a possibilidade de participar e de votar eletronicamente, e com segurança, de assembleias, comitês e reuniões de fundos de investimento, debenturistas, empresas de capital aberto ou fechado.  Krajcer vê um grande potencial pela frente: considerando apenas os fundos, existem mais de 20.000 no Brasil.

“Com a necessidade repentina de fazer tudo remotamente, a demanda pelo serviço decolou. No fim, não foi o CEO nem o CFO que acelerou a digitalização das companhias, mas sim um vírus. Infelizmente”.

Muitas instituições passaram a desenvolver a tecnologia dentro de casa, e outras contratam de terceiros. “Como temos DNA de mercado de capitais, entendemos os processos e saímos em vantagem”, acredita, acrescentando que o melhor dos mundos é poder juntar teoria e prática.

A Cuore nasceu do casamento entre a paixão do engenheiro carioca por tecnologia, sua prática de 20 anos como executivo do mercado financeiro, e a vontade de resolver um problema que viu de perto nesses anos todos.

“Os grandes bancos têm sistemas parrudos para ‘rodar’ o básico, como movimentações de conta-corrente e atualização de cotas de fundos de investimento. São grandes blocos monolíticos para resolver problemas pesados, é uma espécie de linha de montagem. Mas tudo o que ‘cai da esteira’ não tem solução pronta, precisa ser resolvido manualmente”, explica. “Vi uma grande oportunidade de oferecer serviços para resolver essas lacunas. A minha proposta é digitalizar o que cai da esteira”.

Segundo o empreendedor, além dos processos manuais, os mercados financeiros tradicionais atualmente enfrentam problemas como custos crescentes de back office, gestão de papelada física (o que configura um risco operacional), gestão de garantias (risco financeiro) e má experiência do usuário final.

“Ao digitalizar os processos operacionais, a Cuore otimiza a cadeia de valor de ponta a ponta e, portanto, é capaz de reduzir riscos, custos e o tempo de execução para toda a cadeia, e de melhorar a experiência do usuário. Além disso, traz mais transparência em um ambiente seguro, seguindo as melhores práticas de compliance”, afirma. A isso, soma-se ainda o fato de que a digitalização permite que tudo seja facilmente auditável, diz.

Inteligência Artificial

Além da Cuore, Krajcer está com um novo projeto: uma startup que usa inteligência artificial para filtrar dados de documentos. “Começou como um hobby, agora já tenho um cliente. Mas ainda nem marca temos, só um nome: Catapult”.

Apesar de ter nascido no Rio, Krajcer morou em São Paulo boa parte da sua carreira, que construiu no mercado financeiro. Trabalhou na Fininvest, que foi comprada pelo Unibanco, que foi comprado pelo Itaú. “Enquanto estudava – sou formado em engenharia elétrica -, dizia que nunca trabalharia em banco. Paguei minha língua”, brinca.

Krajcer começou nas áreas de marketing e relacionamento com clientes de varejo de instituições financeiras. Desde sempre, diz, estudava e aplicava recursos de tecnologia nas suas funções. Mais tarde, migrou para a área de mercado de capitais, assumindo a distribuição de fundos locais do Itaú e, depois, a dos off shore. “Foi uma excelente experiência, mas comecei a sentir falta do operacional. Por isso me lancei na carreira solo, e estou muito satisfeito”.

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