Plataformas digitais de investimento crescem até 400% em 2020

Plataformas digitais de investimento crescem até 400% em 2020

Alta de 400% nas receitas, de 247% da quantidade de investidores em renda variável, de 100% nos recursos sob custódia…. Impressionante, não? Os números são de três dessas plataformas digitais de investimentos: Toro, Easynvest e Consulenza.

Incentivado pela queda dos juros e pela pandemia, o crescimento das plataformas digitais de investimentos neste ano está surpreendendo até os mais otimistas. Juros reais quase negativos aumentaram o interesse por investimentos mais arriscados, como ações; e a pandemia do Covid-19, que manteve todo mundo em casa, favoreceu a digitalização de tudo. Com o mundo dos investimentos, não foi diferente.  

As perspectivas continuam animadoras. O segmento de plataformas digitais de investimento no Brasil deve dobrar o faturamento, dos atuais R$ 75 bilhões para até R$ 160 bilhões em 2025, segundo pesquisa recente do banco Morgan Stanley. Outra pesquisa, da consultoria McKinsey – divulgada no final de abril – mostrou que três em cada quatro brasileiros têm interesse em usar plataformas digitais para investir, devido ao baixo custo, excelente experiência, melhor monitoramento da carteira e definição dos ativos.

Só na Bolsa brasileira, 900 mil novas contas foram abertas durante a pandemia em 2020 ( até agosto), elevando o total de investidores para quase 3 milhões – um aumento de 76%.

Sedentarismo financeiro

A Toro Investimentos, que já nasceu digital há oito anos como plataforma de educação financeira – e, há três, virou corretora – viu suas receitas crescerem 400% desde dezembro. “Há três meses atingimos o break even, marco importante para qualquer fintech – e foi um ano antes do previsto”, disse Gabriel Kallas, um dos fundadores e atual presidente da Toro (foto acima).  “Investimentos em renda variável no Brasil, até poucos anos, era para privilegiados; clientes de varejo ficavam de fora”, afirma. Para Kallas, apostar na democratização foi um dos principais diferenciais da Toro.

Há um mês, a Toro anunciou a isenção de cobrança de corretagem em todos os fundos, e a devolução das taxas de administração cobradas. “Ganhamos somente a taxa de performance nos fundos. Na corretagem, temos um modelo grátis e outro conhecido como piloto automático, ou ganha-ganha – só ganhamos se o cliente ganhar”, garante. “Pudemos fazer isso porque nosso modelo de negócios sempre foi baseado em uso intensivo de tecnologia, por isso temos custos mais baixos do que a média do mercado”.

Kallas diz que o objetivo da Toro sempre foi ajudar o brasileiro médio a sair do sedentarismo financeiro. “Em 2018 somente 0,2% dos brasileiros aplicavam em ações, agora é 1,5%; nos Estados Unidos, mais de 60% aplicam”, lembra. Para o empreendedor, ao contrário do que ocorreu em 2008, a crise da Bolsa neste ano mostrou que o mercado está mais maduro, pois com a queda forte dos preços, muitos investidores foram às compras.

A Easynvest, uma corretora que em 2015 vestiu a roupa de fintech – tanto que acabou sendo comprada pelo Nubank no mês passado –  comemora principalmente o aumento do seu market share na renda variável. Segundo a própria, o percentual passou de 5,8% em agosto de 2019 para 12% em agosto deste ano. Antes, a renda variável era a primeira escolha para apenas19% dos clientes da Easynvest, ante 58% atualmente. 

A corretora digital também informa que registrou aumento de 247% de clientes na renda variável em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano passado, atingindo 250 mil operando na Bolsa; e alta de 66% na pandemia — entre o fim de fevereiro e agosto.

Em agosto, 63% dos clientes eram homens; dos que aplicavam em ações, 71%; 63% aplicam via aplicativo; e o mesmo percentual está no Sudeste. Nos últimos oito meses, 81% dos clientes investiram em renda variável; e a grande maioria da base de clientes tem entre 26 e 39 anos. No total, a Easynvest possui R$ 23 bilhões em ativos sob custódia e mais de 1,5 milhão de clientes.

“Wealthtech”

A Consulenza, serviço para o investidor de varejo lançado em abril pela gestora italiana Azimut, espera dobrar a carteira de clientes para mil, e o volume de recursos sob sua custódia a R$ 60 milhões. A “wealthtech”- nome chique para fintech de investimentos – usa um modelo híbrido entre robôs de investimento e interação humana. Para começår, o cliente pode fazer uma simulação a partir do site ou app da Consulenza.

“Na Azimut, o processo é 100% personalizado, os clientes são atendidos por um banker; na Consulenza, mesclamos o atendimento humano à tecnologia, o que permite baratear o custo e atender mais clientes”, diz Luis Politi, sócio da Consulenza, que desenvolveu o projeto incubado na Azimut em 2018.

 “Nascemos para aproveitar a experiência, clientes e produtos da Azimut no Brasil, onde está há seis anos, para atender investidores de varejo, que não tem normalmente acesso a consultoria de qualidade”, diz. A Consulenza aceita aplicações a partir de R$ 5 mil em seus fundos, e de R$ 1 mil em produtos de previdência.

O investidor de varejo começou a ser cobiçado pelas casas de investimento exatamente há dois anos, em parte pela trajetória de queda dos juros e, também, pelo amadurecimento da economia brasileira.  “Cada vez mais investidores estão buscando alternativas à poupança. O fenômeno só aumentou com a pandemia, uma vez que a queda da Bolsa tornou os preços das ações extremamente convidativo”, diz Politi.

Cautela

Embora seja um entusiasta da diversificação, o executivo recomenda cautela: “Tem gente que sempre aplicou em renda fixa que está partindo para opções muito arriscadas, e sem assessoria especializada. Esse é o nosso diferencial: damos assessoria”, diz.

A plataforma aberta vende atualmente cerca de 200 fundos de terceiros, de diversas classes e subclasses de ativos.

Toro Investimentos, Easynvest e Consulenza contaram suas histórias diretamente para o portal Fintechs Brasil, mas outras informações divulgadas recentemente pelo Nubank, TradeMachine e Rico (comprada pela XP) apontam no mesmo sentido. Da mesma forma, investidas de fintechs de crédito ou de bancos estabelecidos em plataformas de investimento – casos do Neon/Magliano, BTG/BTG+, e muitos outros exemplos reforçam a tese.

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