Fintechs brasileiras precisam surfar ‘segunda onda’, diz presidente da a55

Fintechs brasileiras precisam surfar ‘segunda onda’, diz presidente da a55
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Nos últimos cinco anos, a maioria das fintechs que nasceram e progrediram no Brasil vieram para resolver o problema da baixa taxa de bancarização; o mercado de pagamentos e bancos digitais está saturado e agora é hora de seguir a onda que as fintechs estão surfando em países mais maduros, como Estados Unidos e Reino Unido: atacar segmentos específicos.

A constatação é de André Wetter, cofundador e presidente da fintech a55. Fundada em 2018, a a55 já nasceu diferente: “Percebemos que as startups mais maduras cresciam com capital não diluitivo, ou seja, sem entregar parte das suas ações em troca de recursos”, explica. Ou seja, em vez de oferecer sociedade no capital das startups, passou a oferecer empréstimos. O outro pulo do gato da a55 foi a seleção do seu público alvo: startups com receitas recorrentes, como as de software, que vivem de assinaturas; e mais recentemente, e-commerce e marketplace, que bombaram na pandemia.

A a55 também sempre apostou em um modelo escalável, que permitisse a internacionalização. “Em 2019, surgiu a oportunidade de abrimos uma subsidiária no México, mercado que como o brasileiro ainda não está maduro. A carteira da a55 no México está em US$ 7 milhões (cerca de R$ 35 milhões), ante R$ 150 milhões aqui. Segundo ele, no México a facilidade de obter dados dos clientes é muito maior, uma vez que o país já é “open banking” há mais tempo; além disso, é muito fácil conseguir licença para dar crédito, aqui é mais burocrático, revela.

“Nossa análise de crédito é baseada na performance da empresas – levantamos dados como faturamento, caixa, aquisição de clientes; gostamos de investir em empresas com esse perfil. Hoje, lançamos mão de convênios com plataformas que nos plugam nos bancos e bases de dados para conseguir analisar as empresas; com o Open Banking aqui, nosso negócio será beneficiado”, acredita Wetter.

Apesar de estar em contato com a Drummond Ventures, com sede em Boston, “para troca de leads”, Wetter explica que entrar naquele país ainda é um projeto para o futuro.

A a55 conseguiu no mês passado seu segundo investimento no ano, no valor de US$ 2 milhões, desta vez através do Fundo de Investimentos ZFM.

Com 60 funcionários, entre Brasil (São Paulo, Florianópolis e Manaus) e México, a fintech pretende utilizar esse aporte para aceleração da oferta de crédito nos dois países, além de aumentar o volume disponível para operações e, principalmente, para a contratação de novos profissionais.

Além do ZFM, a Mouro Capital (ex Santander InnoVentures) aportou US$ 5 milhões divulgados no início do ano. Na ocasião, a a55 criou uma plataforma de gestão financeira para empresas.

“A crise atual veio para acelerar o que todos já esperavam com relação à digitalização de serviços financeiros e nós vemos que a fintech está muito à frente dos demais em termos de estratégia e automação de serviços financeiros, além de sua presença nos dois principais mercados Latino Americanos. A empresa tem se mostrado como um combustível de crescimento das PMEs da nova economia, e ficamos muito entusiasmados com as possibilidades que o futuro demonstra”, relata Bruno Freitas, diretor de Investimentos da E3.

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