Rafaela Bassetti, Wishe

Rafaela Bassetti, Wishe

Nascida em Belo Horizonte, Rafaela, 35 anos, três filhos, é advogada especialista em direito societário e tributário e em fusões e aquisições. Também é mestre em administração pela Harvard University, tem experiência profissional em uma companhia global investida por grandes fundos, em consultoria estratégica, como diretora em startup apoiada pela Endeavor e como empreendedora no setor de alimentação saudável. Também faz parte da sociedade da B2Mamy, primeira empresa que capacita e conecta mães ao ecossistema de inovação e tecnologia. Ainda atua como investidora anjo e mentora de startups e em iniciativas de suporte ao empreendedorismo, como a Womby. A Wishe é um grupo de investimento focado em startups inovadoras lideradas por mulheres que tem como objetivo eliminar o gap de gênero no ecossistema de startups, levando capital para empresas fundadas por mulheres com alto potencial de crescimento, oferecendo educação e conexão para quem investe e gerando valor econômico e impacto social.

Por que decidiu empreender?

Desde que me formei fui trainee em várias empresas em São Paulo, mas acabei escolhendo a Magnesita em Belo Horizonte. Como advogada atuei em fusões e aquisições, mas chegou uma hora que tive vontade de estar do lado do negócio, não só como assessora. Fiz cursos nos Estados Unidos e voltei a trabalhar com consultoria, mergulhada dentro das empresas. Depois de um tempo, entrei em crise: comecei me perguntar a quem minhas 20 horas por dia de trabalho estava dando dinheiro. Foi quando conheci a Endeavor e fui trabalhar numa startup de saúde. Continuei trabalhando muito e depois da primeira filha decidi empreender. Mais de 50% das mulheres que empreendem o fazem depois da maternidade. Tive uma empresa de alimentação saudável por quatro anos; quando fundei o Wishe me conectei de novo com meu propósito no mundo, com o que eu quero deixar de legado: meu proposito é ajudar mulheres . Acredito que quando uma mulher cresce, todos crescem. Nós mulheres precisamos seim de apoio, mentoria, exemplos, mas principalmente de dinheiro. Quero democratizar o acesso ao investimento em startups no Brasil; a Wishe é um hub de investimentos. Oferecemos três modelos: uma plataforma de equity crowdfunding; um grupo de investidores anjo com cheques maiores; crowdfunding convencional focado em MVP de startups de mulheres. No ano que vem, vamos captar um fundo estrutural. Ou seja, fomentamos MVP, tração e crescimento; serão quatro modelos de negócios para acompanhar a jornada toda. Nossa tese é agnóstica, o único requisito é ser uma startup ser liderada por mulheres, de prefereência as que buscam impacto positivo.

Como enfrentou as barreiras?

Além das inerentes ao próprio negócio de startups, diversos estudos mostram que as mulheres recebem no máximo 5% de todos os investimentos realizados por firmas de Venture Capital; o resto vai para empresas com homens no comando. Mulheres têm mais dificuldade porque começaram a empreender depois, são menos arrojadas e têm menos anos de estudo, o mercado financeiro é dominado por homens brancos; por entrar mais tarde, elas não têm tanto networking – não conheceram pessoas na faculdade que hoje seriam seus portenciais investidores – e os investidores tendem a buscar seus semelhantes. Sem investimento, essas startups femininas não criam relevância, e tendem a morrer mais cedo. Mas quero falar também sobre o que tem sido empreender na pandemia: é devastador para todos, mas para as mulheres foi pior no mundo todo; passamos da jornada tripla para a jornada infinita, a quarentena acabou ou reduziu muito a rede de apoio (funcionários, avós, escolas…) e as mulheres passaram a ter que atuar até como professoras dentro de casa. Empreender no caos é muito desafiador, mas sairemos melhores e mais fortes.

Onde quer estar daqui a dez anos?

Eu realmente gostaria de ver um mundo em que os dados relacionados a equidade de gênero fossem muito diferentes; com grandes empresas, inclusive bancos, lideradas de fato por mulheres; um mercado de trabalho com outras políticas públicas mais adequadas, com licença parental em vez de licença maternidade. E eu, pessoalmente, queria ter sido um agente importante nessa transformação à frente da Wishe.

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