Open Banking e a gestão financeira de pequenos negócios – Igor Senra

Open Banking e a gestão financeira de pequenos negócios – Igor Senra
Igor Senra, CEo e fundador da Cora


Igor Senra*

Muita gente já ouviu falar no termo Open Banking, mas pouca gente sabe o que de fato é esse negócio. O Open Banking tem potencial para mudar nossas vidas em vários aspectos, mas vou focar aqui na forma como os negócios podem ser impactados, até porque acredito que o Open Banking tem potencial para mudar a forma como os negócios são geridos.

Quem toca um pequeno (ou médio) negócio sabe como é a vida. Se você contrata um sistema de gestão financeira para organizar sua vida financeira, o seu controle terá um preço. Vou exemplificar com um pagamento que você tenha que efetuar. Você precisará lançar esse valor a ser pago no sistema de gestão. Depois, você precisa lançar essa mesma transação no seu banco, seja para agendar o pagamento ou pagar efetivamente. Muitas vezes tem um fluxo de aprovação que precisa de mais de uma pessoa envolvida nesse processo… Depois de confirmado o pagamento no seu banco, é preciso voltar ao sistema de gestão para comunicar que aquele pagamento foi pago.

Isso se dá dessa forma porque, até então, não existia o Open Banking. Os bancos funcionavam 100% isolados e não permitiam trocas de informações com nenhum sistema externo.

Agora, com o Open Banking, a experiência pode ser inteiramente redesenhada. Uma vez que o pagamento é lançado no sistema de gestão, esse informa diretamente a instituição financeira e, quando o pagamento está feito, já volta uma confirmação diretamente para o sistema de gestão. Nada de retrabalho, redigitação, nada de idas e vindas. Tudo é viável dada a possibilidade de integração entre sistemas.

Todo mundo já entendeu que esse é futuro e que não tem mais volta. O Banco Central tem puxado essa discussão tentando regular esse processo, mas é uma queda de braço com os grandes bancos que se sentem ameaçados por essa iniciativa, o que exporia sua base de clientes para outros players. E, como se isso não bastasse, algumas instituições estão amarradas a legados de tecnologia que as impedem de fazer a melhor solução nesse aspecto, outras (inclusive várias fintechs) mesmo que não tenham o legado, se associaram a instituições burocráticas e fechadas à tecnologia. O resultado nesses dois casos é que a solução apresentada para o cliente ou é limitada, ou possui muito atrito.

Quando se observa os players envolvidos com o Open Banking outra coisa fica clara: existem duas abordagens claras e distintas. A melhor forma de explicar isso é por meio de uma analogia: Caso Apple vs Android.

A Apple optou por verticalizar sua solução, dominando o desenvolvimento e produção hardware e do sistema operacional. No caso do Android, da Google, a estratégia foi outra, efetivar parcerias com o máximo de desenvolvedores de softwares possível. Não tem exatamente certo e errado. É uma questão de escolhas e mostra o caminho que a empresa quer seguir do ponto de vista estratégico.

Por isso, quando vemos empresas financeiras comprando empresas de softwares de gestão, ou quando vemos empresas de gestão tentando montar fintechs, fica claro: eles querem ser a Apple desse mercado com a estratégia de verticalização. 

Mas, por mais que haja essa consolidação aqui e ali, ainda tem um enorme espaço para quem optar por uma solução análoga ao “Android”. Existem mais de três mil soluções de gestão financeira para negócios no Brasil. E elas vão precisar que uma instituição financeira crie uma forma de oferecer essa experiência do futuro.

É exatamente por isso que tomamos o caminho mais difícil, tendo nossa própria licença junto ao Banco Central e desenvolvendo nossa própria tecnologia. Temos muitos parceiros em potencial precisando dessa instituição financeira que os habilite a concorrer com as grandes soluções verticais por aí.

* Founder e CEO da Cora, Banco Digital PJ para PME

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