Startups: quando procurar investimento? – Lícia Souza e Rafael Moreira

Startups: quando procurar investimento? – Lícia Souza e Rafael Moreira

Lícia Souza e Rafael Moreira *

Buscar investimento não é tarefa fácil. Quem cria uma startup logo percebe. Antes de buscar captação de recursos financeiros, é preciso definir se o o objetivo é a validação do modelo de negócio, o crescimento da empresa e/ou o ganho de escala. Para as diversas possibilidades, existem investidores que oferecem recursos financeiros e outros que entram com expertise para desenvolver e conduzir um crescimento sustentável da startup, e ainda os que oferecem ambos. 

São muitos os fatores que podem determinar a maturidade do negócio e a necessidade de capital. De maneira geral, as startups procuram captar para realizar melhorias no produto, expandir a atuação ou escalar. Como existem vários tipos de investimento, é preciso entender a fase em que a startup se encaixa para, então, procurar o investidor mais adequado. 

Não existe uma ‘hora certa’ para captar: isso depende do modelo de negócios e do mercado em que a startup está inserida. Recomendamos procurar investidores que, além do capital financeiro, estejam efetivamente interessados em apoiar o negócio, como, por exemplo, fundos específicos para um público ou vertical, ou pessoas ativas no mercado que tenham expertise na área de atuação da startup. 

O investimento depende muito do nível de maturidade da startup. A Bertha, por exemplo, procura startups com faturamento mensal médio menor que R$ 50 mil até R$ 1 milhão, dependendo do mercado, modelo de negócios, tecnologia, time e capacidade de escalabilidade. Para cada investimento e grau de maturidade da startup, há um tratamento específico e métricas adaptáveis ao tamanho do ticket de investimento.  

Tipos de investimento

Uma tendência para startups é o modelo de venture builder, adotado pela WE Impact. As VBs participam ativamente da construção da startup, dando acesso a capital e a recursos compartilhados para o seu desenvolvimento. Ao contrário de outras venture builders, que buscam participação majoritária na empresa, a WE Impact busca participação minoritária, dedicando-se a preparar as startups para o sucesso da jornada e para o próximo round de investimento, investindo capital financeiro e estratégico, apoiando o crescimento das empreendedoras com suporte hands-on nos três principais pilares para o sucesso de startups: conhecimento específico, networking e acesso a capital. 

Além das venture builders, existem muitas outras formas de investimento. Confira as principais e em qual fase da startup elas são recomendadas: 

FFF (Family, Friends, Fools): os empreendedores contam com algum aporte vindo de familiares, amigos ou os “tolos”,  que são pessoas próximas e que não necessariamente dispõem de conhecimento técnico, mas querem ver ela dar certo e investem. Nesta modalidade, os valores levantados giram em torno de R$ 25 mil e R$ 50 mil. Este investimento geralmente ocorre em startups em fase inicial. 

Aceleradoras e Incubadoras: as aceleradoras costumam investir tickets entre R$50mil e R$150mil, muitas vezes atrelando serviços como forma de investimento,  podendo entrar com participação em torno de 20% no capital da startup, e focam em negócios com rápido potencial de crescimento e escalabilidade. Já as incubadoras entregam os benefícios em ferramentas como espaço de trabalho, consultorias específicas para o início do negócio, acesso a softwares de gestão e demais funcionalidades.

Investimento Anjo: os investidores-anjo são, normalmente, pessoas físicas que dispõem de recursos financeiros e expertise para investir em startups. O valor aportado não costuma passar de R$ 500 mil por rodada, e a participação societária fica entre 5% e 15%. Em geral, recebem este tipo de investimento startups iniciantes, que têm um protótipo e potenciais clientes. Com o mesmo perfil, um formato inovador surgido em 2017 e regulado pela Comissão de Valores Mobiliário ( CVM), foi o equity crowdfunding,  que torna possível pessoas sem expertise investirem também.

Capital semente (Seed): com ticket na mesma faixa inicial do investimento anjo, o capital semente (também conhecido como Seed Money) é aportado por grupos de investidores organizados enquanto pessoa jurídica ou até mesmo por fundo de investimentos regulados pela CVM. Os aportes vão de R$ 500 mil a R$ 2 milhões e o perfil de investimento varia muito, mas normalmente buscam startups que já tenham receita recorrente, preparando-se para atingir a repetibilidade de suas operações e o aprimoramento do time e da tecnologia. 

Venture Capital: nesta modalidade, a startup precisa comprovar que possui potencial de crescimento acelerado e rentabilidade e o investimento pode variar entre R$ 2 milhões e R$ 10 milhões. Os aportes são feitos em participação societária, ou seja, o investidor coloca capital e torna-se sócio investidor da empresa, apoiando também as decisões estratégicas do negócio.  Este investimento é voltado para negócios que já possuem uma solução validada, rodando, e uma base crescente e fiel de clientes.

Investimentos Séries A, B e C: após a primeira rodada de investimentos dentro da jornada de Venture Capital, as rodadas subsequentes recebem essa identificação  para demonstrar o momento de captação de recursos que a startup está.  Conforme as rodadas vão crescendo, são beneficiadas startups que estão comprovadamente em expansão, necessitando de capital para abrir novos mercados e lançar novos produtos, seguindo uma trilha para tornar-se uma empresa consolidada. Também são feitos através de entrada no capital social da empresa — podendo ser o mesmo investidor inicial da jornada de Venture Capital, que acompanha o crescimento da empresa, ou novos investidores que apoiam os seus planos estratégicos. 

*Licia Souza é CEO e fundadora da WE Impact — venture builder que investe e desenvolve startups de tecnologia lideradas por mulheres; Rafael Moreira é CEO da Bertha Capital, holding de investimentos em Corporate Venture Capital — uma especialidade de investimento que analisa as conexões entre startups e corporações, para o investimento em teses que dialogam com as estratégias de inovação das corporações

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