Digitalização da gestão de condomínios abre novo nicho de mercado para as fintechs, e já chama atenção de investidores

Digitalização da gestão de condomínios abre novo nicho de mercado para as fintechs, e já chama atenção de investidores
Marcus Nobre, da uCondo

Denise Ramiro

O isolamento imposto pela pandemia evidenciou um novo nicho de negócios para as fintechs de gestão, automação e fornecimento de crédito: o mercado de condomínios. Hoje já são mais de 10 startups explorando o segmento, de Norte a Sul do Brasil. Uma delas, a uCondo, acaba de abrir uma nova rodada de captação de recursos junto a fundos de venture capital para financiar sua expansão, depois de crescer mais de 200% no ano passado. O reforço de capital, segundo Marcus Nobre, co-founder, CEO & board member da uCondo, vem para a expansão dos negócios, com a oferta de mais produtos financeiros; e para a melhoria da experiência dos clientes.

A uCondo é cliente da fintech iugu, especializada em gestão e automação financeira para empresas de vários setores. Romulo Pereira, diretor de produto e customer service da iugu, afirma que notou um crescimento no número de administradoras de condomínios que procuraram seus serviços desde o ano passado.

“A iugu funciona como uma camada de inteligência em pagamentos na plataforma dos clientes”, explica Pereira. “Estamos no backstage da uCondo; boletos, compensação, conciliação, controle de inadimplência são administrados pela iugu – é um espelho”, completa Pereira. O diretor informa, também, que de junho do ano passado até agora, a iugu teve um aumento de 22% em sua base de clientes, no segmento de gestão.

Romulo Pereira, da iugu

Além da uCondo, também a Condopay, outra fintech de soluções para condomínios que nasceu com capital próprio, recebeu um aporte de R$ 500 mil através de investimento-anjo em outubro passado. O dinheiro está sendo usado para promover o crescimento de setores dentro da organização e oferta de novos serviços. A startup achou uma brecha nesse mercado em 2019, quando surgiu para oferecer cartão de crédito corporativo para facilitar e parcelar os pagamentos das taxas e despesas condominiais, assim como o salário dos funcionários. Promete redução de gastos de até 40% com a operação – e ainda presta serviços de marketplace para os condôminos.

Recentemente, duas outras chamaram a atenção do mercado: a CondoConta, uma das sete fintechs escolhidas em março pelo programa de aceleração do BTG boostLab; e a Superlógica , que em fevereiro foi uma das apontadas pela consultoria Distrito como uma candidata a unicórnio.

Segmento disputado

De acordo com dados da Receita Federal, são 500 mil condomínios registrados em sua base que movimentam R$ 60 bilhões em taxas condominiais por ano. E a Associação Brasileira de Síndicos e Síndicos Profissionais (ABRASSP) calcula que a receita movimentada pelos condomínios brasileiros ultrapassa o montante dos R$ 165 bilhões.

A fintech pernambucana Finacon, de crédito especializado para o mercado condominial, viu sua carteira de empréstimos chegar aos R$ 2,5 milhões em apenas seis meses de funcionamento. Ela nasceu com a finalidade de oferecer crédito descomplicado e ágil aos condomínios para atender as suas necessidades de reformas de fachada, reparos elétricos e hidráulicos, modernização de elevadores, implantação de energia solar ou mesmo adequação do fluxo de caixa. O pacote inclui financiamento em até 72 meses, com 90 dias de carência.

Outra fintech que atua na concessão de crédito para condomínios, a CondoMoney, antecipa o dinheiro ao cliente para a realização de benfeitorias antes do período de arrecadação extra dos condôminos. Também vê vantagens na negociação do condomínio junto ao fornecedor para pagamentos à vista e a possibilidade de realizar e entregar a benfeitoria durante a gestão atual do síndico e corpo diretivo. Já a CondoBlue, além de atender a demanda financeira dos condomínios, oferece facilidade de crédito para os seus funcionários, com a concessão de empréstimo consignado. 

Economia para os condomínios

Nobre, da uCondo, afirma que no modelo convencional, as administradoras de condomínios precisam de equipes para a conferência de envio e recebimento de arquivos de remessa para o banco, por exemplo – e com a digitalização, há uma economia considerável de recursos. Ele conta o caso de um cliente, uma administradora da região Sul do país, com um time de cinco pessoas somente no telefone para realizar a operação. “A partir do momento em que a administradora aderiu ao universo digital, foi possível deixar apenas um funcionário no app da uCondo para solução de chamados do aplicativo, os demais passaram a prospectar novos clientes”, diz Nobre. O resultado, conta ele, foi uma economia de mais de R$ 20 mil mensais para a administradora, que viu o número de clientes crescer ao transferir os recursos de atendimento para a área comercial.

A plataforma uCondo começou a funcionar em 2016 com 50 condomínios na carteira, oferecendo recursos de comunicação para conectar moradores, síndico, conselho consultivo e administradoras, com foco na experiência do usuário. Dois anos depois do início das operações, a uCondo enxergou a oportunidade de oferecer novas funcionalidades financeiras, como emissão de boletos. Foi nesse momento que nasceu a parceria com a fintech iugu, que passou a gerar boletos registrados para condomínios, reduzindo o custo na comparação com a emissão gerada em bancos.

Investida pela Porto Seguro e Plug And Play, dos Estados Unidos, a uCondo cadastrou 1.500 novos clientes em 2020 em sua plataforma – um aumento de 270%, levando a basa a 130 mil moradores, 2200 condomínios e 450 administradoras em 24 estados. O faturamento da startup saltou de R$ 592 mil em 2019 para R$ 1,6 milhão no ano passado. Este ano espera crescer mais 200%.

%d blogueiros gostam disto: