Argentina SatoshiTango contrata executivo para comandar operações no Brasil; fintech é semifinalista de programa da Visa para AL

Argentina SatoshiTango contrata executivo para comandar operações no Brasil; fintech é semifinalista de programa da Visa para AL
Guilherme Ribeiro, CEO da SatoshiTango no Brasil

Denise Ramiro

A fintech argentina SatoshiTango, que chegou ao Brasil no final de 2020, promete avançar no mercado brasileiro de fato a partir deste ano. Para comandar o desafio de ampliar a presença da empresa no país, contratou o catarinense Guilherme Quintino Ribeiro, com passagens pelo HSBC e Ripple (plataforma de transferência de moedas, que tem uma moeda nativa de seu sistema, a XRP). Ribeiro contou com exclusividade ao portal que neste momento estuda o público brasileiro – pessoas físicas e empresas – para saber quais os serviços financeiros baseados em criptomoedas fazem mais sentido por aqui.

Segundo ele, o principal público da fintech são pessoas físicas, em torno de 30 anos, que atuam no mercado financeiro ou são profissionais autônomos. Mas chegar também nas empresas é parte da estratégia de negócios da SatoshiTango. A ideia é disponibilizar produtos para que as empresas possam ter exposição em criptomoedas – uma tendência que vem crescendo no mundo. Ribeiro diz que tem se encontrado com CEOs e CFOs de empresas para entender o interesse e abordagem. 

Nos países em que atua – Argentina, Peru e Chile -, além da compra e venda de criptomoedas, como bitcoin e ethereum, oferece também a compra de cartão presente com criptomoedas, operação de margin trading (serviço de alavancagem financeira no qual a companhia empresta o dinheiro para a compra de criptomoedas), serviços de envio e recebimento de dinheiro do exterior e recarga de celulares com criptomoedas. A fintech estuda também entrar nos mercados da Colômbia, México e em alguns países da África. 

Modelo de negócio

Antes de lançar produtos no Brasil, Ribeiro também está debruçado na legislação para se adequar ao mercado nacional, enquanto atua como broker de criptomoedas e analisa, dependendo do segmento escolhido para atuar no Brasil, o que será mais vantajoso para a fintech: entrar com um pedido de licença junto ao Banco Central ou fazer uma parceria com um banco local. 

“Provavelmente vamos começar com uma parceria, como correspondente de um banco ou uma instituição de pagamento (IP). O país vive um momento muito especial, a regulação está sendo atualizada, inclusive com a debate sobre a criação de uma IP que poderá oferecer câmbio”, diz.  

A SatoshiTango aterrisa no Brasil no momento em que grandes players do mesmo segmento, sejam empresas chinesas, americanas ou europeias, também estão de olho aqui, como a Binance, a maior exchange de criptomoedas do mundo, e a Coinbase. “A concorrência é forte, com vários players estruturados, mas esperamos um crescimento orgânico alto que virá com um investimento forte em marketing”, diz Ribeiro. E, segundo ele, o apelo para conquistar clientes está no mercado. “Uma inflação que voltou à casa dos 8% ao ano é um bom argumento para mostrar que as pessoas estão perdendo dinheiro”, afirma. 

A SatoshiTango iniciou as operações em 2014 como uma casa de câmbio de criptomoedas, com investimentos dos três sócios, e quer se transformar em um banco. Seu volume de operações registrado nos últimos 12 meses passa de US$ 45 milhões, com mais de um milhão de transações e 800 mil usuários registrados em 93 países. Hoje, a fintech argentina é autossuficiente e funciona com capital de giro próprio, segundo Ribeiro. Ainda não passou por nenhuma rodada de investimentos e não deve passar no curto ou no médio prazos. “Ainda não temos necessidade”, afirma.

Visa Everywhere Initiative 2021

A fintech argentina comemora o fato de estar entre as cinco semifinalistas da Visa Everywhere Initiative 2021, que lhe dá direito a participar de um programa especializado para acelerar as colaborações com a Visa. Uma das cinco representará a América Latina e o Caribe na Final Global do Visa Everywhere Initiative 2021 e competirá por US$ 100 mil em prêmios. 

A final contou com a Finerio Connect do México, uma plataforma de produtos de open banking e finanças pessoais; Quash.ai, startup de crédito norte-americana que oferece produtos de inteligência artificial para bancos e instituições financeiras da região latinoamericana; Vaki, do México, uma plataforma de crowdfunding para iniciativas países em desenvolvimento; e apenas uma brasileira, a Remessa Online, parceira da Ripple que trabalha com remessas de pagamentos em tecnologia blockchain. A Remessa Online acaba de divulgar que foi a vencedora do juro popular.

“A seleção da SatoshiTango mostra que estamos no caminho certo. A atenção de um player como a Visa vai ao encontro das estratégias de produtos que pretendemos lançar para os nossos clientes; que possibilite a eles o acesso a um cartão seguro para fazer as suas transações financeiras dentro da nossa plataforma, seja para fazer a compra de um produto ou outro serviço”, finaliza Ribeiro. 

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