ENTREVISTA/THIAGO DIAS: “Fintechs latinas vivem onda de ‘repack’ e consolidação”

ENTREVISTA/THIAGO DIAS: “Fintechs latinas vivem onda de  ‘repack’ e consolidação”
Thiago Dias, Mastercard

Denise Ramiro

As fintechs vivem uma onda de “repack” e consolidação. A opinião é de Thiago Dias, vice-presidente da estratégia para Fintechs e Labs da Mastercard LAC. Para ele, também, a desmaterialização é uma tendência irreversível no mercado de pagamentos. Dias conversou com exclusividade com o portal Fintechs Brasil sobre o ecossistema de fintechs e também sobre o Digital First, cartão lançado nesta semana por aqui em parceria com a Bankly, a unidade de BaaS da Acesso Soluções de Pagamento (que foi comprada em maio pelo Méliuz). O cartão digital funciona por meio de qualquer dispositivo conectado, tornando o plástico físico completamente dispensável.

A empresa de tecnologia e pagamentos que tem no currículo a primeira e mais bem sucedida parceria do mercado com fintechs – em 2014 a Mastercard uniu-se ao Nubank que acabou se tornando o maior banco digital do mundo –, continua atrás de startups para apoiar projetos que conversem com os seus negócios.  

FINTECHS BRASIL – Qual a expectativa da Mastercard com o Digital First?

DIAS – Segundo dados de uma pesquisa recente que encomendamos globalmente, Novos Meios de Pagamentos, 82% dos brasileiros estão abertos a usar um cartão digital first para fazer compras online. O novo modelo de pagamento impulsiona uma mudança de hábitos nos consumidores e varejistas e revoluciona a forma como os pagamentos são pensados e realizados atualmente no Brasil.

O Digital First é uma tendência global que chega agora ao nosso país. Com ela, as instituições financeiras passam a poder emitir cartões físicos sem os dados completos do cliente, uma vez que estes estão armazenados exclusivamente na forma virtual – sob rígidos protocolos de segurança e autenticação – e são visíveis apenas no aplicativo. Se o cliente optar por solicitar o cartão físico, ele não terá os dados habituais impressos, como número da conta, PAN (número que aparece na frente e indica o número do cartão), CVC (ou código de segurança) ou a data de validade. Além disso, o nome do titular do cartão poderá ser personalizado de acordo com a preferência do consumidor.

FINTECHS BRASIL – Você falou recentemente em uma live da Start-Se que os investidores estão concentrando investimentos em fintechs mais estabelecidas para reduzir o risco. Daqui a algum tempo vamos ter poucas fintechs dominando o mercado como hoje temos cinco bancos tradicionais?

DIAS – O segmento terá uma consolidação. De 2 mil empresas na América Latina, desde a pequena, que atende a um nicho muito específico, até o Nubank, que é gigantesco – mas no curto ou no médio prazo acho muito pouco provável chegar às cinco que vemos na indústria bancária. O que está acontecendo é o repack (reempacotamento). Se olharmos a história das fintechs nos últimos cinco anos, elas começaram com uma pegada de simplificação, fazendo o básico bem feito para atrair o cliente, porque hoje o básico dos grandes players ficou tão complicado que ele já deixou de ser bem feito.

O Nubank, por exemplo, começou com o cartão de crédito em um aplicativo, e muito bem feito. Agora que estão chegando perto do teto de crescimento em número de clientes, começam a pensar em crescer mais. O que significa dar lucro, garantir e fazer com que esse cliente que baixou o seu aplicativo use e use bastante os seus serviços durante a sua jornada financeira.  Eles estão reempacotando o negócio, porque além da conta digital e o cartão de crédito, será preciso oferecer o seguro, o empréstimo, para não começar a ficar para trás. Então, nessa jornada de reempacotamento também está acontecendo a consolidação. É só pegarmos as top 10 das fintechs do Brasil, todas elas compraram pelo menos duas empresas no último ano, empresas focadas em crédito, investimentos, seguros, mas de uma vertical diferente da dela.

Os investimentos continuam fortes, com um tíquete médio maior em fintechs com modelos de negócio aprovados. Não quer dizer que acabou o dinheiro para as pequenas, ao contrário, as rodadas de investimentos para as menores estão acontecendo de forma gigantescas todo dia tem alguém levantando de 2 a 3 milhões de dólares. O que acontece é que quando você assina um cheque de US$ 70 milhões, US$ 100 milhões, está fazendo uma injeção de capital para elevar o negócio para outro patamar, o que naturalmente leva à consolidação. Imagine que cada uma das 2 mil startups compre quatro, ainda estamos falando de 500 empresas no segmento, por isso, no médio prazo isso não vai criar um efeito de concentração ainda que o efeito de consolidação exista.

FINTECHS BRASIL – Qual o potencial que a Mastercard vê no mercado brasileiro e latino-americano de fintechs, levando-se em conta a enorme desigualdade social que existe no continente?

DIAS – Enquanto companhia, temos o tema de inclusão financeira forte. Inclusive com compromissos públicos e globais de acelerar e garantir a inclusão financeira e digital de 1 bilhão de pessoas e 50 milhões de pequenos negócios, o que vem acontecendo de forma acelerada por conta do trabalho que as fintechs vêm fazendo. Quando olhamos o radar fintech, já são mais de 2 mil empresas nesse segmento na América Latina. Olhando o que elas estão buscando, vemos que metade delas está atrás da inclusão financeira, chegar aonde os outros não chegam. Se tenho o compromisso global de incluir 1 bilhão de pessoas no ecossistema financeiro digital e tenho 1 mil startups que querem atuar nessa frente, sou o maior interessado em promover e facilitar que esse ecossistema tenha sucesso.

É por isso que hoje vemos o Banco Inter, com 11 milhões de clientes na sua carteira digital, o Banco Original, chegando a 10 milhões, números que a gente não imaginava há seis anos quando o mercado era dominado por meia dúzia de bancos. De fato, vemos que essa diversificação e competição que é trazida para o mercado é muito saudável e acelera a inclusão financeira. E vemos isso com um enorme potencial, tenho equipes nos principais mercados da América Latina, no Brasil, no México, na Colômbia, no Peru, que estão o tempo todo buscando novos casos e usos, novas propostas de valor, e tentando ajudar a acelerar o lançamento e crescimento desses novos players no mercado.

FINTECHS BRASIL – As fintechs conseguiram incluir, mas os juros continuam altos. Quando as taxas para a obtenção de crédito serão mais amigáveis ao consumidor?

DIAS – Tivemos uma grande evolução com as fintechs em tudo que é relacionado a tarifas quando comparamos com os players tradicionais e também veio a janela da competitividade, eles trouxeram muitos consumidores com a estratégia de tarifa e custo zero, trazendo transparência. Então as fintechs já conseguiram reduzir esse valor como um todo, dinheiro que sobra no bolso do consumidor. Em relação a taxa de juros é difícil prever, porque é uma dinâmica que envolve outras coisas, taxa Selic, os indicadores do país, a inadimplência, o índice de emprego, ou seja, que já é uma questão macroeconômica. Enquanto Mastercard não conseguimos interferir nessa agenda.

Nós continuaremos a fomentar o cenário de hipercompetitividade, abertos a trazer novos players, impulsionando esse tipo de mudança, que queremos trazer para o consumidor final. Nesse ambiente macroeconômico, queremos trazer melhores serviços e mais competitividade, e acredito que com mais aplicação da inteligência artificial, melhor uso dos dados com o LGPD e a maior disponibilidade de dados com o Open Banking, naturalmente melhores produtos e custos devem chegar para o consumidor final.  

Acelerando startups

FINTECHS BRASIL – A primeira parceria da Mastercard do Brasil com fintechs foi uma aposta certeira, uniu-se ao Nubank, que se tornou o maior banco digital do país. De lá para cá, a empresa passou a investir em laboratórios de aceleração de startups. Como vai esse projeto, quantas e quais startups são apoiadas pela Mastercard? 

DIAS – Realmente a história do Nubank se cruza muito com a nossa jornada de apoiar inovação e o ecossistema de startups e bancos digitais, que se deu naquele momento, entre o final de 2013 e o começo de 2014, quando construímos a parte de licença e o modelo de negócios junto ao banco digital. Nesse mesmo período, lançamos globalmente um programa de engajamento com startups, o Start Path, que tem o objetivo de trazer suporte operacional, acesso comercial aos nossos clientes e, em alguns casos, até investimento estratégico, quando elas estão trabalhando com situações financeiras que a gente considera estratégicas e inovadoras. Com esse programa, temos a oportunidade de aproximar os nossos clientes mais tradicionais – os emissores, adquirentes e os estabelecimentos comerciais – das startups que estão passando por um processo criterioso de seleção e curadoria, conduzido pela nossa equipe de inovação, a Mastercard Labs. A ideia é que eles cresçam de forma rápida, o que dificilmente conseguiriam fora do nosso ecossistema.

Com o Start Path também ajudamos os nossos clientes a acelerarem os seus processos de inovação. As startups que participam do programa não são só fintechs, atuam nas áreas de inteligência artificial, logística, segurança, inclusão financeira, conectadas, portanto, com a nossa estratégia de sermos muito além do cartão.

Nessa jornada de sete anos a gente já trabalhou em conjunto com mais de 246 startups, em estágios mais avançados, que estão na fase além da ideia, porque queremos ter a oportunidade de levá-las diante de um cliente para escalar o negócio dele. Anualmente, o programa recebe cerca de 2 mil candidatos do mundo todo e aprovamos cerca de 40 por ano, ou seja, 2% da demanda. Portanto, um funil bem rigoroso para garantir que estou selecionando as melhores do mundo. Da América Latina, 18 já participaram do programa, das quais sete são do Brasil.

Uma das brasileiras, a Recarga Pay, é uma fintech de pagamentos por celular, que passou pelo Start Path em 2016, hoje têm mais de 15 milhões de clientes com uma carteira digital e já emitiram mais de 1,5 milhão de cartões Mastercard. Antes eram uma carteira fechada e agora conseguimos adicionar esse valor ao ecossistema deles através de um cartão pré-pago.

Outro exemplo, de 2013, vem da Europa, a Revolut, fintech de envio de dinheiro para contas internacionais, que acabou de atingir 154 milhões de clientes globalmente. Neste momento, estamos trabalhando em parceria com a colombiana Mo Tecnologias, focada em utilizar dados alternativos para criar score de crédito para quem não tem histórico financeiro. Começamos a trabalhar com a Mo há dois anos e hoje metade das oportunidades comerciais deles vieram em conjunto com a nossa equipe de vendas. Outra parceria de peso é com a fintech argentina de pagamentos móveis Ualá, que tem entre os investidores George Soros e Steve Cohen.

Inovações e tendências

FINTECHS BRASIL – Quais inovações vêm pela frente no mundo das fintechs? O que tem de mais novo no mundo e o que ainda vai chegar no Brasil? Quais as principais tendências ?

DIAS – O futuro desse mercado e as grandes oportunidades que vêm com a digitalização, o ambiente regulatório favorável, a agenda positiva de transformação, já tem alguns tópicos que já estão bem estabelecidos. Dá para chamar de tendência porque estão exatamente no momento de desenvolvimento, de lançamento faseado e de testes, mas achamos que eles vão determinar essa próxima onda de investimento e inovação.

A primeira é o Open Banking. O ambiente regulatório e a agenda positiva do BC são extremamente felizes em promover de uma forma muito robusta e trazendo aprendizados de outros cantos, como da Europa, do Egito, para levar de fato ao consumidor o poder de uso de seus dados. Mas, no final, buscando beneficiá-lo com melhores produtos, taxas e mais acesso ao crédito. O segundo fenômeno é o BaaS, banking as a service, impulsionado pela agilidade de se criar uma fintech hoje na comparação com três anos atrás. Hoje, é possível abrir uma fintech completa em três semanas, com conta digital, cartão e maquininha. Se o Mercado Livre foi feliz na sua decisão de criar um Mercado Pago, isso pode ser replicado por qualquer player digital.

É só pegar as plataformas de mobilidade, delivery, serviços, que têm de um lado uma demanda e de outro lado um trabalhador para atender a essa demanda, e ali no meio você tem o fluxo financeiro. Isso vai continuar acontecendo cada vez mais. Vamos ver o GetNinjas, maior plataforma de contratação de serviços do país, o Single Bank, já vimos o iFood saindo com as suas soluções, comprovando que o BaaS é muito forte.

Outra tendência forte são o Blockchain e as criptomoedas, que estão de uma forma muito amarrados, o que vem trazer uma camada adicional de transparência, segurança, propriedade digital e rastreabilidade para qualquer tipo de transação, seja ela financeira ou não, qualquer tipo de contrato e até a digitalização de um ativo físico de alto valor. Têm várias tendências como os tokens, que podem ser usados para proteger uma obra de arte, por exemplo, dando posse para alguém de uma obra de alto valor, sem necessariamente ter que tirar a peça de um museu famoso, e mandar para a casa da pessoa. Tem um mar de oportunidades para serem exploradas.

E por último, a tendência da fintech going green, nessa busca por se aproximar dessa linha de comunicação aberta de responsabilidade social e de ter um propósito e um impacto. A gente vê que a agenda de ESG está ficando cada vez mais forte, muito mais que um slogan, e sim com planos e atitudes muito mais potentes. Tem o caso da Impact Bank , uma fintech que já nasceu dando parte das suas receitas para um fundo de impacto social. É o modelo do círculo virtuoso, quanto mais a pessoa usa o serviço bancário, mais ela está gerando impacto positivo no meio ambiente ou na comunidade onde está inserida.

A Mastercard lançou há pouco também um produto que chamamos de calculadora de carbono. Foi criado pela fintech sueca Doconomy e está integrada em toda a rede global da Mastercard. A calculadora de carbono permite que os consumidores recebam um retrato instantâneo das emissões de carbono geradas pelas suas compras e transações, através das categorias de gastos.

FINTECHS BRASIL – Como vai o projeto de cartões não presentes, que possibilitam pagamentos através de pulseiras, óculos e até chips instalados debaixo da pele?

DIAS – O chip chama muita atenção, mas o conceito que é mais importante é a desmaterialização do cartão. Até pouco tempo atrás, nós nos perguntávamos se a gente devia usar dinheiro na carteira, agora a questão é por que andar com uma carteira. Hoje o que temos é uma credencial de pagamento digital e do outro lado uma ferramenta digital de autenticação e verificação de identidade. Em cima disso tem a vestimenta (anel, celular, meu headset).

O chip é só um exemplo, mas poderia literalmente ser qualquer coisa que já está com você, que pode ser convertido em um instrumento de pagamento por aproximação. Os óculos são uma opção sim, o anel também, e já tem vários players fazendo isso, o Santander já trabalha com a pulseira. Isso também traz um novo leque de negócios, uma pulseira com design, assinada, peças de pagamentos sendo criadas como elementos de moda e de tecnologia, isso vai começar a acontecer com mais frequência.

O futurismo é essa desmaterialização e qualquer coisa vai ser usada para ser sua credencial de pagamentos. O que vem por aí não tem limites. Hoje, uma loja de materiais de construção tem um ambiente exclusivo para expor produtos que seguem o conceito de casa inteligente, que vão desde opções para acender as luzes antes de chegar em casa até de acionar a impressora para imprimir um documento. Essa integração de smart devices com o elemento pagamento é um caminho sem volta. Os Jetsons, seriado dos anos 1970 sobre uma família que vivia no futuro, com grandes avanços tecnológicos, já é realidade entre nós.

Fintechs de nicho

FINTECHS BRASIL – A que você atribui a febre do cashback nos cartões?

DIAS – O cashback está em alta por conta da pandemia. O setor de turismo, viagem e entretenimento sofreu uma pancada muito forte, o atrativo de antes que eram as milhas passou para o cashback. Dá ao consumidor  a sensação de que está recebendo aquele ativo de volta e ao mesmo tempo o prende naquele ambiente, criando o engajamento e a fidelidade dele. É um fenômeno que a gente chama de guerra pela atenção, guerra pela tela. A primeira tela do celular está cheia de aplicativos, a briga passa a ser como faço para ser relevante para o meu cliente, como faço para ficar na primeira tela dele, ser aberto e utilizado com a maior frequência possível. Porque toda vez que ele usa é uma oportunidade de me comunicar e me rentabilizar com ele, vendendo meus produtos. Tem muita gente fazendo, e vai acontecer cada vez mais. 

Há um fenômeno mais novo que é o criptoback, dando cashback em criptomoeda. A Mastercard fez uma parceria com a Gemini, fintech americana focada em criptomoeda, na qual o cashback é dado em bitcoin. Temos trabalhado muito próximos dos gigantes digitais, como Apple, Facebook, Amazon, Samsung. Acabamos de lançar o projeto no México de cartão 100% digital, parecido com a proposta de valor da Apple, também com cashback, com produtos Samsung. E já temos vários neste ano no nosso pipeline nesse sentido. Muitas marcas conhecidas vão aparecer no ambiente de fintechs.

FINTECHS BRASIL – Qual o potencial do PIX e como ele pode evoluir para atender melhor consumidores, varejo, serviços?

DIAS – O Pix é um sucesso, trabalho muito bom de simplicidade, preço e proposta de valor, é tempo real e 24×7, instantâneo. Assim que ele entrou, literalmente, comeu o TED/DOC, quando a gente olha o universo de pagamento. Costumamos falar na Mastercard que a nossa guerra é contra o dinheiro. Então, toda e qualquer solução que venha para acabar com o dinheiro, que é a forma de pagamento mais ineficiente e não-higiênica que existe, a gente vai apoiar.

Operamos nessa modalidade de pagamento em tempo real em mais de 40 países com a infraestrutura da Mastercard, temos uma expertise muito grande no tema. Estamos vendo muita coisa interessante do ponto de vista de evolução, tem uma agenda muito forte do BC. Como novidade, acaba de ser divulgado que o regulador está avaliando o PIX internacional, parcelado, devolução com PIX, é esperado que a evolução se dê nesse sentido. Como uma empresa de tecnologia, a gente apoia e está trabalhando todo dia para que isso seja rápido, fácil e seguro.

Dentro do meu portfólio de soluções e serviços tenho ferramentas, ainda que eu não seja a rede por onde o PIX passa, eu consigo aportar valor, melhorando a gestão de fraude, o uso de dados, tornando a experiência cada vez mais transparente e simples para o consumidor. Acreditamos que há espaço para diferentes soluções. Quem vai escolher é o cliente, com base naquilo que funciona melhor para ele, com mais conforto, conveniência e segurança.

Acabamos de divulgar um estudo, realizado em parceria com a Kantar, que mostra que as expectativas do cliente em relação a pagamentos nos próximos 10 anos é no mundo digital. Para 55%, todas as transações financeiras deles serão feitas em tempo real; 42% entendem que as lojas não vão aceitar mais pagamento em dinheiro; 27% deles esperam realizar pagamentos por meio de assistentes virtuais, que é o que falamos anteriormente, a desmaterialização do pagamento.

No meio do caminho veio o WhatsApp. Acabamos de lançar, pouco tempo depois do PIX, a solução aprovada pelo BC, que começou a operar no início de maio e já deve estar batendo volumes expressivos de transações. O WhatsApp anunciou a abertura da funcionalidade para toda a sua base de usuários, e quando olhamos para a jornada e a quantidade de cliques, o WhatsApp é muito natural, vai ter com certeza uma alta adesão, porque vai trazer conforto ao cliente. Não só o Mastercard, mas todos as bandeiras são aceitas no WhatsApp.

FINTECHS BRASIL – Como a Mastercard vê essa explosão de fintechs de nicho? É uma tendência sustentável?

DIAS – Quando a gente começa a colocar o cliente no centro, trazer todo esse novo comportamento do consumidor, olhar com responsabilidade social, diversidade e inclusão, as fintechs de nicho começam a aparecer com uma importância maior ao passar do tempo. E se a gente olhar na história recente posso dar vários nomes aqui, como Conta Black, Pride Bank, o próprio Impact Bank, elas estão sempre sendo desenhadas com base em um público alvo bastante específico, com necessidades específicas e, portanto, preciso de um conjunto de produtos e soluções também específicos. Isso para mim é uma das tendências do ponto de vista do investimento que vai crescer bastante neste ano e o próximo. 

Mas é preciso cuidado, porque a partir do momento que você segmenta demais, você também pode chegar no limite do seu crescimento, então se eu já tenho uma segmentação muito boa em determinado nicho, dar o próximo passo necessariamente significa ir para outro mercado. Quando se olha para as fintechs regionais, isso vai muito bem, porque ela atua em novos mercados, mas quando se fala de fintechs locais, você tem um teto, que é o meu público alvo, não vou conseguir passar muito daquilo. Então é sempre importante ter esse cuidado de garantir que de fato o nicho entrega valor para aquele nicho, e que você está olhando para um caso de negócio que seja sustentável, mesmo com público alvo de tamanho limitado.    

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