Pesquisa da PayPal mostra que quase 80% dos brasileiros aprovam a moeda digital do BC; PIX serviu de cobaia

Pesquisa da PayPal mostra que quase 80% dos brasileiros aprovam a moeda digital do BC; PIX serviu de cobaia

A pesquisa Terceira Onda de Inovação Fintech, realizada com 12 mil pessoas pelo PayPal, fintech global de pagamentos eletrônicos, mostra que 79% dos brasileiros gostam da ideia de não ter de usar dinheiro. O índice de aprovação está acima dos de mercados mais maduros, como o chinês (72%), estadunidense (58%) e alemão (40%). Mais de um terço dos respondentes relataram altos níveis de entusiasmo em eliminar o dinheiro físico de suas vidas.

Em relação à adesão da moeda digital de bancos centrais desses mercados, a Central Bank Digital Currency (CBDC), os entrevistados também se mostraram entusiasmados nos mercados ouvidos, com China e Brasil novamente apontando mais empolgação: 57% dos consumidores no Brasil e 70% (China) indicaram preferência por carteiras de motorista digitais, por exemplo. Já, cerca de 71% dos entrevistados nos EUA e na Alemanha indicaram uma preferência por portar uma carteira de motorista física em vez de uma versão digital.

Apesar das altas pontuações para uso futuro de CBDC, os entrevistados ficaram divididos com na questão das soluções de identidade digital em substituição às carteiras de identidade físicas, um pré-requisito para o uso geral de CBDC.

“É importante ressaltar a influência do contexto local. Estamos acompanhando o grande entusiasmo com o PIX, que pode ter influenciado positivamente a percepção acerca da digitalização, deixado a população mais aberta e interessada por uma criptomoeda de um Banco Central”, analisa Leonardo Sertã, Head de Desenvolvimento de Mercados do PayPal para a América Latina.

Segundo comunicado da empresa, a pesquisa buscou entender como os consumidores estão acessando serviços financeiros; como a evolução das tecnologias pode melhorar o acesso financeiro e a saúde financeira; e as condições e requisitos para inovação responsável e equitativa no setor de fintech. “Essa pesquisa aponta caminhos e contribui para a construção dos próximos pilares da digitalização da economia e do setor de pagamentos digitais”, analisa Sertã.

Economia e anonimato

A pandemia aumentou o uso dos pagamentos online, mas não foi ainda dessa vez que tirou o dinheiro da jogada. A pesquisa da PayPal apontou que os entrevistados usam dinheiro físico ou moedas para pagar por itens do dia a dia em quase 50% das situações; no Brasil, são 38%.

A pesquisa mostra também que a pandemia diminuirá o uso de dinheiro, mas talvez não tão drasticamente como alguns especialistas previram. Embora a maioria ouvida no levantamento esteja usando menos dinheiro pós-pandemia, e queira diminuir ainda mais daqui para frente, houve uma sólida minoria (26%) que indicou querer usar mais dinheiro em 2021. De acordo com a interpretação da PayPal, parte desse desejo poderia ser interpretado como entusiasmo por voltar a uma certa normalidade no pós-pandemia.

Para transações presenciais, o dinheiro continua sendo a forma de pagamento preferida em geral, embora os consumidores mais jovens relatem um uso relativamente maior de pagamentos eletrônicos. Em conjunto, essas descobertas indicam que, mesmo enquanto a sociedade caminha para o fim do dinheiro, há razões para acreditar que ele continuará popular entre os consumidores, pelo menos no curto a médio prazo.

Os principais motivos? Não sofrer cobrança de taxas, a facilidade de uso em qualquer lugar, a capacidade de controlar melhor os gastos e o anonimato. Essas características do dinheiro, diz a pesquisa, são importantes para os usuários e devem fornecer um contexto importante para que possamos considerar as formas futuras de moeda.

“Sabemos que o uso do dinheiro físico é ainda uma necessidade, dada a grande parcela da população que ainda é desbancarizada. Temos de ter isso em mente ao pensarmos em soluções que fomentem a digitalização, reforçando sua simplicidade e compreensão – e precisamos ser capazes de continuar a promover a democratização dos serviços financeiros”, adiciona Sertã.

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