Consórcios entram na onda tech: Turn2C, Eutbem e Finby prometem ‘revolução’ do antigo modelo

Consórcios entram na onda tech: Turn2C, Eutbem e Finby prometem ‘revolução’ do antigo modelo
Bruno Pinheiro, Turn2C

A fintech de consórcios Turn2C está na reta final da sua primeira rodada de captação, de R$ 10 milhões; a Eutbem, que nasceu para financiar os sonhos das mulheres, pretende investir a mesma quantia em 2022; e a Finby inaugura seu ‘marketplace de cofinanciamento de bens e serviços”. O juro em alta favorece a revitalização do setor, cujo modelo original antigo e complicado já foi alvo, no passado, de muita desconfiança de parte da população.

O objetivo da captação da Turn2C, que atua no modelo B2B2C, é “expandir de maneira violenta”. “Estamos na reta final de negociações para levantar R$ 10 milhões junto a quatro fundos”, diz Bruno Pinheiro, fundador e CEO da fintech. Segundo ele, a rodada foi antecipada pois a Turn2C vem crescendo mais rapidamente do que o previsto. “Nosso business plan inicial era conquistar 500 parceiros até o final deste ano, meta que foi atingida em outubro”, revela Pinheiro.

Por crescimento violento o fundador quer dizer entrar em todo o ciclo de vida do cliente. “Não somos vendedores de consórcio, somos uma empresa de tecnologia. Queremos estar ao lado do cliente desde a compra do bem até sua venda, seu uso como garantia de uma operação, a contratação de um seguro para o bem. São várias possibilidades”.

Segundo Pinheiro, o produto consórcio foi a porta de entrada que encontraram ao detectar que o produto é bom, mas muito complexo – e por isso, mal vendido. “Conseguimos simular automaticamente os melhores planos para o objetivo particular de cada cliente, em termos de bem, valor, prazo para contemplação, juros e parcelas. É isso que oferecemos aos canais parceiros, que assim vendem os consórcios de forma muito mais assertiva.”

“Até o momento nenhum concorrente aplica Machine Learning e Inteligência Artificial como a Turn2C para encontrar as melhores soluções de consórcio para o cliente final, é um conceito realmente inovador; foi isso que atraiu os outros investidores”, diz o sócio Fabio Leme, que se juntou à fintech em junho. Leme é executivo da área financeira que já atuou no alto escalão de empresas como HDI Seguros, Bancos Itaú e Unibanco, AIG e Liberty Seguros. Leme lembra que quanto mais os juros sobem, mais competitivo o consórcio fica. “Nossas filosofia é ter uma ferramenta altamente escalável que possa ser usada por parceiros que não precisem ser especializados em cálculos. Todos os envolvidos ganham, principalmente o cliente final, que consegue acesso a linhas muito mais baratas do que nos bancos”.

Pinheiro informa que já foram fechadas até agora mais de R$ 15 milhões em operações, mas mais de R$ 150 milhões já foram simulados – em consórcios, a “curva de convencimento” do cliente é longa, de 45 dias em média. “Temos parcerias com 14 das maiores e mais importantes administradoras de consórcio do país, 15 funcionários e 770 canais parceiros, entre corretores de seguros, agentes autônomos, contadores e ‘até’ vendedores de consórcio”.

Fabio Leme, Turn2C

Por meio de modelos matemáticos e estatísticos avançados, a plataforma Turn2C processa em tempo real os dados de todos os grupos de consórcios das administradoras com as quais está conectada. A solução aponta a cota mais indicada para que o consorciado alcance seu objetivo de compra de um bem o mais rápido possível e com o menor capital de entrada. “Obviamente, quanto maior o valor de lance ofertado, maior a probabilidade de contemplação, mas o objetivo da Turn2C é encontrar e mostrar ao cliente a opção com a maior probabilidade de contemplação entre os milhares de grupos existentes nas administradoras de consórcios parceiras. Em nossos cálculos iniciais, esperávamos que 85% das cotas selecionadas com o lance sugerido fossem contempladas no prazo desejado e, para nossa grata surpresa, esse indicador já começou superando os 97%!”, comemora Pinheiro. 

A Eutbem é outra fintech de consórcio totalmente digital – e voltada só para as mulheres. A nova administradora foi autorizada pelo Banco Central e desde o início de 2021 está focada em proporcionar acesso ao crédito justo às mulheres para elas realizarem sonhos como abrir um negócio, reformar a casa, viajar, fazer uma faculdade, uma cirurgia plástica ou a festa de casamento. Inspirada pelos Sete Princípios de Empoderamento das Mulheres criado pela ONU, foca em especial em dar vida à equidade de gênero ao incentivar o primeiro princípio (liderança corporativa), o quarto princípio (educação e formação) e o quinto princípio (políticas de empoderamento de mulheres).

A startup teve aporte inicial de R$ 4 milhões e passou nos últimos anos por um período de desenvolvimento de sua plataforma digital e estruturação operacional em paralelo ao processo de autorização junto ao Banco Central. A empresa prevê investir R$ 10 milhões até meados de 2022.

Já a Finby está lançando seu marketplace de cofinanciamento de bens e serviços, batizado de FinbyFree. Segundo a fintech, seu marketplace é a revolução do consórcio tradicional, que usa a tecnologia blockchain e a descentralização. 

Marcos Lecasi, CEO da Finby, explica que o objetivo da concessão de crédito é ajudar a conectar sonhos e realizá-los, visto que a pandemia ocasionou o “stop” de muitos projetos dos brasileiros. “Acreditamos que de forma digital, através da tecnologia, poderemos finalmente ajudar as pessoas a dar um start nos planos que foram estacionados, como desde ingressar em uma faculdade até realizar a viagem dos sonhos”, explica. 

Criada em 2019, a Finby surgiu por um grupo de amigos aficionados por investimentos e tecnologia, que enxergaram a oportunidade de revolucionar o mercado de cofinanciamento no Brasil e no mundo. Desde a concepção da ideia, os idealizadores puderam contar com o apoio da IBM, que acredita na disrupção e transformação do mercado atual de consórcio.

Crescimento e concentração

Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o percentual de ativos administrados sobre o PIB passou de 1,9% para 3,9% entre 2002 até 2020, e os ativos passaram do valor de R$ 29 bilhões em 2002 para R$ 281 bilhões em 2020.

O número de pessoas que possuem consórcios ativos chegou a 8,4 milhões em maio desse ano. Com a pandemia e a quarentena, aqueles que possuem uma renda fixa, passaram a se preocupar mais com o futuro financeiro, muito disso pela instabilidade e incertezas dos tempos atuais. Isso influenciou diretamente nos desejos de programar e organizar financeiramente para melhorar o patrimônio.

Apesar de existirem 142 administradoras de consórcio, mais de 50% das cotas pertencem aos grandes bancos

e conglomerados financeiros. Segundo dados da AB, somente 35% dosconsórcios pertencem as mulheres, apesar de 45% dos lares brasileiros (34,4 milhões) serem chefiados por elas, segundo dados da PNAD Contínua, divulgados em maio de 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Hoje em dia, muito dos sonhos das pessoas são da categoria de serviços, o mais jovem dos tipos de consórcios criado em 2008, e que chama a atenção pelos indicadores de crescimento: em 2020, o segmento fechou com 171% a mais de créditos disponibilizados em relação a 2019, totalizando R$ 461,55 milhões e, pela primeira vez, desde que foi criado, ultrapassou a casa de R$ 1 bilhão de créditos comercializados e mais de 197,20 mil cotas ativas até outubro de 2021.

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