Monkey contrata diretora de RI, prepara rodada Série B, passa a financiar ‘clientes dos clientes’, chega aos EUA e quer triplicar faturamento em 2022

Monkey contrata diretora de RI, prepara rodada Série B, passa a financiar ‘clientes dos clientes’, chega aos EUA e quer triplicar faturamento em 2022
Gustavo Muller, CEO da Monkey Exchange

A Monkey Exchange não está para brincadeira. Em 2021, quintuplicou a quantidade de colaboradores (que passaram de 100), lançou novas linhas de negócios (incluindo a Spike, plataforma de antecipação de recebíveis para PMEs), faturou R$ 30 milhões (foram R$ 40 bilhões em volume negociado) e entrou na América Latina. Neste ano, prepara vôos ainda mais altos.

Em entrevista no seu escritório – que, por conta da pandemia, ainda é pouco frequentado – no 14o. andar de um edifício na famosa Av. Faria Lima (São Paulo), o CEO da Monkey, Gustavo Muller, e a nova diretora de relações com investidores e instituições financeiras, Sheyla Lodi, revelaram que em breve colocarão no ar uma plataforma para financiar os clientes de grandes empresas. “Ja temos uns dez pilotos, que devem começar no próximo mês”, adiantou Muller.

Os planos para escalar o negócio requerem, claro, mais recursos e mais parcerias. Sheyla, que atuou por quase dez anos no Citi e por sete no Bank of America como responsável pelo relacionamento com instituições financeiras, chegou à Monkey em dezembro exatamente para contribuir nesse sentido.

Os bancos Pine, Itaú BBA, Inter, CDP Capital, BTG Business e Safra estão entre os parceiros da fintech. Entre as empresas-âncora, nomes como Gerdau, Usiminas, Braskem e Minerva Foods.

A chegada de Sheyla também coincide com a rodada Série B que a fintech está negociando – mas que ainda não está definida, diz Muller. “Queremos construir relacionamentos sólidos com os investidores, não apenas locais como internacionais”, acrescenta Sheyla. Em breve, a executiva deve se juntar à Monkey como sócia – um programa que, aliás, deve ser implantado de forma mais ampla em 2022.

Quarta ponta

Em fevereiro do ano passado, nada menos do que o fundo de Corporate Venture Capital do Itaú, gerido pela Kinea Ventures, escolheu exatamente a Monkey para fazer sua estreia no mercado. O investimento, feito em conjunto com o fundo americano Quona, foi no valor de US$ 6 milhões, em uma rodada Séries A. A Monkey nasceu com aporte de US$ 1,5 milhão por parte de vários investidores anjos – nomes conhecidos do mercado financeiro, como Marcelo Maisonnave (ex-XP e fundador da Warren), João Carlos Zani (diretor do Bradesco BBI) e Denise Pavarina -, além do Parallax Ventures e do hub de inovação Wayra, da Telefônica/VIvo.

A Monkey anunciou sua expansão internacional no final de 2020, e hoje está em três países: Chile, Colômbia e México. Os próximos da lista são Estados Unidos e Portugal. Na época (2020), Muller, disse ao portal Fintechs Brasil que a Monkey esperava duplicar o negócio com a operação fora do país – mas a meta foi batida. “Queremos chegar a um volume de R$ 25 bilhões. Com o lançamento da plataforma de cartões (Spike), o começo das operações no Chile e Colômbia e a conquista de novos clientes, acredito que vamos crescer muito em 2021”, disse na ocasião.

A Monkey é uma fintech especializada em antecipação de recebíveis. Criada em 2016, dois anos depois enxergou oportunidades além de prestar serviços financeiros para a cadeia de fornecedores de grandes empresas: “Passamos a tratar os clientes como parceiros e ampliamos o leque de serviços, atuando também em controle de processos, leilão reverso e plataformas white label”, explica o CEO.

“Fazemos a intermediação entre três pontas – a empresa, que são as “âncoras” dos programas – seus fornecedores e o sistema financeiro, utilizando uma estrutura digital para antecipação de recebíveis (duplicatas). Funciona como um hub financeiro para apoiar a rede de fornecedores dos clientes”. Agora, com a entrada no financiamento a compradores das “âncoras”, a Monkey quer fechar o ciclo incluindo a quarta ponta. Ou seja, vai apoiar também a rede de compradores.

Recebíveis de cartões

A Spike, plataforma de negociação de recebíveis de cartões de crédito que reúne em um único ambiente lojistas e potenciais compradores, estreou em agosto mas havia começado a tomar forma no final de 2020, de olho no novo marco regulatório para arranjo de pagamentos de recebíveis de cartões, que entrou em vigor em junho último.

Na Spike, o lojista apresenta a sua oferta de venda de recebíveis, as instituições plugadas no marketplace apresentam suas propostas e o comerciante escolhe com quem quer fechar negócio. É diferente da dinâmica da Monkey, que é um sistema automático que determina quem é o vencedor sempre pelo preço. Quatro produtos fazem parte da plataforma: infraestrutura para bancos e adquirentes, o marketplace Spike, Spike Pay e o Spike Services. Leonardo Lanna, head de produtos de payments responsável pela plataforma Spike, também estava no escritório da Monkey no dia da entrevista. Segundo Muller, a Spike está indo muito bem também: “Batemos recorde de operações em dezembro”, informa.

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