Belvo, de Open Finance, entra na seara de pagamentos para explorar PIX, e prepara-se para agregar NFe à sua API

Belvo, de Open Finance, entra na seara de pagamentos para explorar PIX, e prepara-se para agregar NFe  à sua API
Albert Morales, Belvo

A startup latina de Open Finance Belvo, comandada no Brasil pelo espanhol Albert Morales, aguarda para este mês a autorização do Banco Central para atuar como Iniciador de Transações de Pagamentos (ITP). “Hoje só há quatro instituições certificadas para iniciar pagamentos. Nossa intenção ao entrar é dinamizar e explorar todo o potencial do PIX”, diz Morales. A Belvo prepara outra novidade para breve: incluir outra fonte de dados na sua API de Open Finance, as notas fiscais eletrônicas (NFe). API significa Application Programming Interface”, ou “Interface de Programação de Aplicativos” em português.

“Nenhum outro país têm esse tipo de dado, que é crucial principalmente para varejistas, e-commerces e até bancos para entenderem melhor os padrões de consumo de seus clientes”, diz.

Com filiais no México e Colômbia – e planos para dominar toda a América Latina – , a Belvo perdeu no ano passado seu principal concorrente aqui, o Guiabolso. A fintech foi comprada pela PicPay e encerrou suas atividades B2B.

“O Guiabolso foi pioneiro e era muito eficiente, mas quando entramos no Brasil decidimos usar nossa experiência no negócio de Open Banking na Europa para oferecer aqui soluções para democratizar o mercado. Não aplicamos nossa tecnologia apenas em benefício próprio, mas “vendemos” para outras e assim viabilizamos o surgimento de muitas fintechs ou inovações no setor bancário”, disse Morales.

O executivo afirma, ainda, que não apenas fintechs podem se beneficiar da expertise da Belvo em agregar e enriquecer dados: “Até mesmo grandes bancos vem recorrendo à nossa tecnologia, pois têm dificuldade em interpretar os dados que coletam de seus clientes em outras instituições, que usam linguagens diferentes”.

Dados críticos em tempos difíceis

E vai além: “Temos vários clientes entre empresas de contabilidade e ERP, e-commerce e até varejistas. Todo mundo precisa de dados, e, mais do que isso, saber entendê-los para usá-los da melhor maneira. Em vez de inundar clientes de ofertas, a maioria sem interesse, é muito mais assertivo enviar duas ou três, mas com foco preciso”.

Sobre a conjuntura desfavorável que se desenha, no Brasil e no mundo – juros e inflação em alta, guerra, eleições e a volta da inadimplência – Morales acredita que informação e dados passam a ser ainda mais críticos para os negócios, principalmente no setor financeiro. “Quanto maiores os riscos, mais relevante é ter informações precisas para ajudar nas decisões”.

O diretor geral da Belvo no país afirma que a oferta de crédito já vem sendo cortada devido ao aumento das incertezas. “Uma base de dados bem construída e organizada é fundamental para antecipar e evitar problemas”. Para ele, será preciso acelerar a implantação do Open Banking – que está com a terceira e quarta fases atrasadas – e também a abrangência do PIX. “A hora é agora, e acreditamos que seremos beneficiados com o movimento”.

APIs e trilhos

Após passar pelo setor financeiro e por algumas das fintechs internacionais que mais cresceram na última década, Pablo Viguera e Oriol Tintoré decidiram fundar a Belvo em 2019 para “construir trilhos para conectar usuários, empresas e dados financeiros na América Latina”.

A Belvo desenvolve APIs para conectar qualquer aplicação com dados provenientes de instituições financeiras, entidades fiscais e empresas de economia colaborativa.

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