Após conquistar o BC com sua máquina de criptografia para o PIX, Dinamo agora mira o mercado internacional

Após conquistar o BC com sua máquina de criptografia para o PIX, Dinamo agora mira o mercado internacional
Marco Zanini, Dinamo

A Dinamo Networks, fabricante das máquinas de criptografia do PIX usadas pelo Banco Central (BC), vai disputar o mercado internacional de cibersegurança a partir do ano que vem. “Estamos prontos”, diz o CEO Marco Zanini. Segundo ele, a empresa tem hoje 80% de participação no mercado de criptografia para o setor financeiro no Brasil.

Zanini diz que para atender as fintechs participantes do PIX, a Dinamo precisou desenvolver uma solução de criptografia em nuvem, que hoje é a única do mundo.

“Na pandemia a quantidade de fintechs aumentou muito. Até o advento do PIX, havia cerca de 50 bancos participantes do SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro), mas mais de 730 fintechs se habilitaram para processar o novo meio instantâneo de pagamento. Ficamos animados com o mercado que se abriria para nós”, diz o CEO.

Mas Zanini não contava com um problema: as fintechs estão todas na nuvem – e a solução da Dinamo era uma máquina. “Até então nenhum equipamento de criptografia do mundo estava preparado para rodar em nuvem; decidimos desenvolver em casa: demoramos um ano, mas conseguimos – e começamos oferecê-las às fintechs em 2021”.

Logo a Dinamo percebeu que a solução de criptografia na nuvem tinha outra vantagem: zero custo de logística para exportar. Por isso, agora, os planos de internacionalização.

Alerta vermelho

A Dinamo, que já tem 20 anos de vida, deve faturar R$ 20 milhões em 2022. Dos seus cerca de 150 clientes, 80% é do mercado financeiro – desta parcela, 30% são fintechs e bancos digitais, e o restante bancos convencionais. Os outros 20% dos clientes são dos setores jurídico e de saúde.

Apesar de os bancos tradicionais ainda representarem a maior parte do seu faturamento, Zanini espera aumentar a participação no mercado de fintechs a partir do ano que vem, quando muitas delas terão que se adaptar às novas regras de risco e compliance do BC, que passam a valer a partir de janeiro.

Para ele, o BC acertou ao criar regras simplificadas de abertura para fintechs no começo, para incentivar a competição no mercado financeiro – mas agora estava na hora de exigir mais segurança desses players, diz.

As fintechs facilitaram e baratearam o acesso ao mundo financeiro, com a inclusão de milhões de pessoas. “A competição era basicamente baseada em experiência do usuário. Mas quando começaram as fraudes com PIX soou o alerta vermelho: a facilidade de abrir contas acabou virando um problema de segurança”, afirma.

Almoço grátis?

“Talvez algumas fintechs fiquem pelo meio do caminho, não só pela regulamentação mais apertada, mas porque as exigências acarretarão mais custos em um momento em que a torneira de dinheiro farto do investidor secou. Até o ano passado, todo mundo admitia prejuízo desde que gerasse audiência. As fintechs nasceram em um mundo de abundância de dinheiro, isso acabou”, diz. “Tudo era grátis, PIX grátis, boleto grátis, TED grátis, conta grátis, cartão grátis … – mas não tem almoço grátis, alguém estava pagando essa conta, e era o investidor. Agora a realidade mudou, e será preciso buscar ser saudável, sustentável”, acredita.

O fato é que mesmo sem o custo extra desse cumprimento às novas regras do BC, a restrição de recursos por si só já separaria o joio do trigo.

IR, TED e PIX

O CEO revela que a Dinamo pivotou o negócio a partir de 2000, quando foi chamada pela Microsoft, da qual revendia softwares, para atender a Receita Federal que queria viabilizar a declaração de Imposto de Renda pela internet. “A gente desenvolveu então um software de criptografia que era embarcado na Receitanet”. No ano seguinte, a Receita pediu para a Dinamo aperfeiçoar o procedimento – foi quando descobriram que em Israel tinha uma máquina de criptografia, importaram para a Receita e passaram a vendê-la para bancos grandes também.

Dois anos depois, o governo chamou a Microsoft de novo – que, por sua vez, chamou a Dinamo de novo – para criar um certificado digital para emissão de TED dentro do novo SPB. “Desenvolvemos um software para isso junto com a Microsoft, e também passamos a vendê-lo para bancos. Alguns passaram a comprar as máquinas e outros, só o software. O problema é que quando a gente chegou em bancos pequenos e médios, eles queriam a máquina mas a máquina era muito cara, pois era importada”. Então, a Dinamo decidiu aprender como desenvolver uma máquina de criptografia 100% made in Brazil. “Em três anos, tínhamos uma máquina igual, por um terço do preço.”

Além de soluções de criptografia para operações financeiras para o SPB, PIX e cartões de crédito, a Dinamo tem produtos para o mercado de autenticação, como o One Time Password (senha de dois fatores), certificado digital e biometria facial, usada em onboarding digital. Para compliance à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o foco da Dinamo é a anonimização de dados – mas Zanini diz que atualmente apenas grandes empresas estão preocupadas com isso: “Acredito que, em algum momento, até a pizzaria delivery terá que se adaptar”. E, claro, Zanini também olha para o futuro do blockchain – que permite rastreabilidade (desde cadeia produtivas passando por transporte…) de forma imutável. Para ele, em um horizonte de três, 20 ou 50 anos, o dinheiro digital vai predominar. “O mundo ficou pequeno”.

Leia mais:

Startups de cibersegurança levantaram US$ 282 milhões em investimentos nos dois últimos anos no Brasil

Evolua ou seja extinto: na era da digitalização, ouvir os clientes ainda é o que mais importa

Febraban lança ofensiva contra golpes; bancos estão preocupados com aumento de ocorrências, principalmente no PIX

%d blogueiros gostam disto: