Sinal de recuperação? Aportes em fintechs latinas dobram em julho 

Sinal de recuperação? Aportes em fintechs latinas dobram em julho 

Os investimentos em fintechs latinoamericanas dobraram em julho em relação ao mês anterior, para US$ 553 milhões, conforme dados divulgados pela Sling Hub, plataforma de inteligência de dados de startups.

Considerando todas as mais de 16 mil startups da região mapeadas pela Sling Hub, também houve crescimento, ainda que menor: 15%. No total, foram captados US$ 845 milhões, distribuídos em 86 rodadas envolvendo 82 startups.

O resultado contrasta com a tendência recente, de forte queda nos investimentos, associada à deterioração do cenário macroeconômico global, com inflação e juros altos. 

Tanto é que o japonês SoftBank, um dos maiores gestores de fundos de Venture Capital na América Latina – o “líder da matilha”, segundo o Pitchbook  –, cortou à metade sua participação em rodadas no segundo trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2021: foram US$ 740 milhões, ante US$ 1,65 bilhão registrado entre abril e junho do ano passado.

No total – considerando o Softbank e outros investidores – os aportes via venture capital na região recuaram de US$ 3,5 bilhões para US$ 2 bilhões, de acordo com o Pitchbook.

Os números da Sling Hub estão 30 dias à frente – o Pitchbook ainda não divulgou o resultado de julho. E, claro, pode ser que a recuperação registrada em julho revelada pela plataforma brasileira não se mantenha nos próximos meses. Mas, ainda assim, a Sling Hub está otimista.

“A nova fase é inferior aos picos de 2021, mas certamente superior aos anos anteriores. Desde janeiro, as startups Latam levantaram US$ 7,8 bilhões de dólares, uma média de US$ 1,1 bilhão por mês. Enquanto a média dos primeiros sete meses de 2021 foi de US$ 1,5 bilhão, a média de 2020 era de apenas US$ 270 milhões por mês”, afirma em relatório que será divulgado amanhã.

Das dez maiores rodadas no mês passado, duas foram via venture debt, modalidade que permite às startups levantarem recursos na forma de dívida não conversível, em vez do equity. Uma das captações nesse formato foi feita pela Creditas, que levantou US$ 150 milhões via dívida, além de uma extensão em mais US$ 50 milhões de sua rodada Série F. 

Considerando toda a região, o crescimento do venture debt é notável, mas representa menos da metade (37%) das rodadas. Trata-se ainda de uma modalidade pouco explorada por startups latinas, enquanto é mais disseminada mundo afora. 

A tendência é mais proeminente no México. Por lá, a fintech Stori levantou US$ 100 milhões por meio de dívida, ao mesmo tempo em que estendeu a captação via equity em um novo cheque de US$ 50 milhões, se tornando o mais novo unicórnio da América Latina no mês passado.

Aqui cabe um parênteses: das oito startups que atingiram o status mítico neste ano, cinco são fintechs, mostra a Sling Hub. Nessa lista estão as brasileiras Dock, de banking as a service (BaaS), e a Neon, banco digital que atende pessoas físicas e MEIs. 

Ainda de acordo com a plataforma, das dez maiores rodadas anunciadas em julho, seis delas foram feitas por fintechs. Na lista também aparece a Educbank assinalada como edtech, mas cujo negócio está diretamente ligado a serviços financeiros. No mês passado, a “edfintech” captou R$ 200 milhões (ou US$ 37,5 milhões nas contas da Sling Hub). 

Números brazucas

O Brasil, que vinha sofrendo mais com a retração dos investimentos do que a região como um todo, mostra sinais de uma leve recuperação em julho, segundo o relatório. 

No mês passado, as startups brasileiras somaram investimentos de US$ 546 milhões, volume que representa uma alta de 32% ante os US$ 415 milhões captados em junho. O montante foi distribuído em 58 rodadas e representou 64% dos investimentos aplicados na região.

Julho também foi pródigo em fusões e aquisições (M&A). De acordo com o estudo da Sling Hub, 34 startups latino-americanas foram compradas no período, sendo 18 delas do Brasil. Dentre as adquiridas, 7 eram fintechs, 3 agritechs e 3 edtechs.

Pessoas físicas resistem

Outra pesquisa, feita pela plataforma de investimentos em startups Efund, mostra que 73,9% das pessoas físicas que costumam aplicar em startups no Brasil manterão investimentos e 8% devem aumentar valores. Segundo Igor Romeiro, sócio da Efund, a alta da taxa de juros não está sendo um impeditivo. 

Na divisão por valores, 76% dos investidores que costumam aportar mais de R$ 20 mil pretendem manter os aportes feitos em 2021. Outros 20% irão reduzir e 4% ampliar. Dentre os que costumam colocar entre R$ 10 mil e R$ 20 mil, 79% pretendem manter, 14% reduzir e 7% aumentar. Já os investidores de menor porte (até R$ 10 mil) pretendem manter (67%) ou aumentar (33%) os valores colocados em startups.

“Os dados quantificam uma tendência que já vínhamos observando no mercado: os investidores de maior porte estão mais criteriosos ao escolher as startups, mas ainda há apetite para aplicações. Já aqueles que investem pequenas quantidades de recursos não mudaram o seu comportamento e permanecem buscando unicórnios”, diz Romero, em nota.

A Efund realizou o levantamento entre os dias 23 e 29 de junho, com 880 investidores de startups no estágio pré-seed e seed.

(Danylo Martins, do Finsiders, e Léa De Luca, do Fintechs Brasil)

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