Como as startups podem superar os desafios mais comuns na captação de investimento – Rafael Kenji / FHE Ventures

Como as startups podem superar os desafios mais comuns na captação de investimento – Rafael Kenji / FHE Ventures
Rafael Kenji/FHE Ventures

Rafael Kenji Hamada*

Muitos acreditam que o frio na barriga na hora de apresentação do pitch da startup para o investidor é o principal desafio enfrentado pelo empreendedor no momento da captação. Seria muito bom se fosse, mas em momentos diferentes, durante todo o processo, surgem vários outros obstáculos.  

A primeira preocupação do empreendedor é a saúde financeira da startup. A captação deve se iniciar cerca de 8 a 10 meses antes do dinheiro acabar. Quanto mais próximo do fim do recurso, maior a pressão por uma entrada de capital, que nem sempre acontece por meio das vendas. Se a empresa já atingiu seu breakeven, ou seja, se a entrada, por meio do comercial, é igual ou superior aos gastos, a captação é mais voltada a trazer bons investidores, que possam contribuir com o smart money, ao invés de garantir a sustentabilidade financeira da startup.  

Um bom planejamento é essencial para buscar com calma o melhor perfil de investidor. Não existe segredo ou receita de bolo para identificar o investidor ideal. Cada empresa, baseada no perfil dos próprios founders e demais sócios, prefere um perfil diferente. O que é consenso é que uma captação às pressas pode resultar numa análise rápida e rasa do perfil do novo sócio e gerar problemas de relacionamento no futuro.  

Já com a captação aberta, um grande desafio é a avaliação da empresa. A maioria dos empreendedores não sabe calcular o valor do seu negócio, o chamado valuation. Isto se deve principalmente por existirem técnicas diferentes para esse cálculo, complicadas e repletas de fórmulas matemáticas complexas.   

Um bom business, com empreendedores trabalhando em tempo integral, engajados, comprometidos com a empresa e com clientes satisfeitos, no entanto, é o suficiente para encantar o investidor e gerar interesse na empresa, baseado nas projeções financeiras. A partir daí, caso o aporte aconteça, é gerada uma marcação de mercado e o valuation é definido.   

Depois da captação, que pode durar meses, ainda acontece a due diligence, ou diligência, que é uma análise criteriosa da empresa, desde os antecedentes dos sócios e fundadores, números financeiros e projeções, em busca de passivos trabalhistas, fiscais e contábeis que possam colocar em risco o empreendimento. Essa avaliação está presente na grande maioria das captações, e a falta de documentos pode resultar numa quebra da negociação. Portanto, antes mesmo da abertura da rodada, o empreendedor deve se preocupar com a regularização dos documentos da empresa.  

Por fim, um grande desafio é o próprio relacionamento com o novo sócio. Afinal de contas, a sociedade é uma união com dezenas de aspectos jurídicos, financeiros e estratégicos envolvidos. A captação deve buscar investidores que sejam compatíveis com a cultura da empresa. Muito mais difícil que captar o recurso, é terminar a sociedade com um sócio insatisfeito. Portanto, o bom relacionamento e a transparência da empresa com cada envolvido são primordiais.  

Apesar dos obstáculos comuns enfrentados pelas startups durante a captação de investimento, existem soluções práticas para superá-los. Com um bom planejamento, a avaliação de empresa, negociações de termos, due diligence bem feita e a construção do relacionamento com os investidores, a escalada da empresa acontecerá de forma natural.  

*Médico e CEO da FHE Ventures

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